Falta de chuva faz cidades brasileiras adotarem o racionamento de água
Represas que abastecem milhões de pessoas estão com níveis muito baixos. Moradora de São Paulo conseguiu reduzir consumo de água em quase 90%.
Por causa da falta de chuva e deste calorão, muitos reservatórios estão pedindo água.
Represas que abastecem milhões de pessoas estão com níveis muito baixos e o racionamento de água já é uma realidade em vários municípios brasileiros.
Nossos repórteres mostram que o momento é de fechar as torneiras e evitar o desperdício.
Dilma Pena (presidente da Sabesp):Janeiro foi o mês mais seco dos últimos 84 anos.
Fantástico: Quantos dias de chuva seriam necessários pra garantir um abastecimento confortável e nos livrar dessa preocupação?
Dilma Pena: Chuvas médias já nos resolve o problema. Precisa chover alguns dias seguidos.
Fantástico: Quantos dias de chuva seriam necessários pra garantir um abastecimento confortável e nos livrar dessa preocupação?
Dilma Pena: Chuvas médias já nos resolve o problema. Precisa chover alguns dias seguidos.
Um problema que se repete Brasil afora.
Minas Gerais. Caminhões-pipa foram utilizados para levar água a uma creche, duas escolas e um hospital.
Paraná. Há rodízio no abastecimento para pelo menos 494 mil pessoas em quatro cidades.
São Paulo. As imagens fazem lembrar o sertão nordestino.
Em Campinas, desde 1930 não se via uma estiagem tão intensa nesta época do ano. O nível do rio que abastece a cidade deveria estar com três metros, em média, mas está com apenas 60 centímetros.
A prefeitura decidiu multar quem for flagrado desperdiçando água. A multa é três vezes o valor da última conta.
Na região, algumas cidades já adotaram o racionamento. Em Valinhos, são 18 horas por dia sem água, duas vezes por semana. Também já existem cortes programados em Cosmópolis, São Pedro e Vinhedo.
Nesta semana, dez cidades paulistas decidiram adotar o racionamento de água. Por exemplo, em Itu, com 150 mil habitantes, por exemplo, as torneiras ficam secas das 20h às 4h.
Na pia, a louça suja se acumula já há vários dias. Na torneira, nem uma gota. Em uma casa, a família está guardando água em baldes.
Fantástico: Heloísa, com sete pessoas em casa, como é ficar sem água?
Heloísa Silveira (dona de casa): Está uma situação insuportável. Agora, que era horário de ter água, a torneira está seca. Não aguentamos mais essa situação.
Heloísa Silveira (dona de casa): Está uma situação insuportável. Agora, que era horário de ter água, a torneira está seca. Não aguentamos mais essa situação.
E como funciona o racionamento em outros estados?
Em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, não chove há duas semanas, por isso, desde terça-feira (4), a cidade convive com um rodízio no abastecimento de água. O racionamento vai das 8h às 16h, de terça a sexta-feira. Os níveis dos dois mananciais que abastecem Juiz de Fora estão 10% abaixo do que é considerado normal para esta época do ano.
No Paraná, em Guarapuava, Ponta Grossa, Francisco Beltrão e Assis Chateaubriand, no interior do estado, parte da população fica sem água por períodos que variam de quatro horas a um dia inteiro. Já em Curitiba e Região Metropolitana, não há rodízio, mas a água não chega aos bairros mais altos e distantes.
Como a previsão é de cerca de dez dias de muita secura, quem cuida da água que chega às nossas casas faz um apelo.
“É um momento de sacrifício. Que utilize a água, com consciência, num momento de evento crítico”, recomenda a presidente da Sabesp.
A equipe do Fantástico fez um teste na casa de uma gerente de produção de eventos, que mora na capital paulista, onde ainda não há racionamento. Aline tem dois filhos. Em um dia, foram gastos 2.175 litros.
Fantástico: Teve que lavar muita roupa, regar planta, fazer faxina e até troca a água da piscina. Aline gastou muita água hoje. Dá para gastar menos?
Aline Duda: Tem que gastar menos. É ruim a gente saber que a gente tem e, ao mesmo tempo, acaba esbanjando de alguma forma.
Fantástico: Você está disposta a tentar economizar?
Aline Duda: Vamos lá. Estou superdisposta.
Aline Duda: Tem que gastar menos. É ruim a gente saber que a gente tem e, ao mesmo tempo, acaba esbanjando de alguma forma.
Fantástico: Você está disposta a tentar economizar?
Aline Duda: Vamos lá. Estou superdisposta.
Ainda nesta reportagem, você vai ver o resultado.
O principal fornecedor de água para a Região Metropolitana de São Paulo é o sistema Cantareira. São seis reservatórios. O primeiro se chama Jaguari. Fica em Bragança Paulista, a cerca de 90 quilômetros da capital.
No reservatório Jaguari, a régua costuma ficar totalmente encoberta quando a represa está cheia. Agora, ela está visível e a água está bem longe. No mês passado, choveu apenas 30% do esperado na região. O reservatório atingiu um dos níveis mais baixos desde que o sistema Cantareira foi criado, em 1973. Está com 20% da capacidade.
Depois do Jaguari, a água, ou melhor, a pouca água, passa de um reservatório para outro por túneis e tubulações.
O sistema Cantareira, que conta ainda com uma estação de bombeamento e uma de tratamento, atende cerca de dez milhões de pessoas.
Para tentar evitar o racionamento, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) está oferecendo um bônus. Quem recebe água do Cantareira e conseguir reduzir o consumo em 20%, ganha um desconto na conta de 30%.
“É uma campanha importante e que não está buscando nenhum sacrifício extraordinário da população”, avalia Dilma Pena, presidente da Sabesp.
Voltamos na casa da Aline, um dia depois de um consumo alto: mais de dois mil litros. Agora, foi tudo diferente.
"O que a gente usou de água foi com regador. Limpeza da casa foi mais passar um pano úmido. Banho curto. Ninguém ficou com sede. Todo mundo bebeu bastante água com esse calor", diz a gerente de produção de eventos.
O resultado: 271 litros consumidos em um dia, uma redução de quase 90%.
“A gente conseguiu. Então, as pessoas também podem conseguir. Talvez, a gente só perceba a importância da água quando a gente perder a água. Que as pessoas pensassem um pouquinho mesmo nisso”, comenta Aline Duda.
Falta de chuvas e picos de consumo levam cenário energético brasileiro ao limite
Margem de segurança técnica recomendada, de 5%, ficou abaixo de 1% duas vezes no fim de janeiro
O sistema elétrico brasileiro voltou a mostrar nessa quarta-feira que o mercado está no limite, elevando os custos da energia e reforçando os riscos ao abastecimento. Uma das provas mais claras desse desequilíbrio estrutural está na eletricidade efetivamente disponível em comparação à atual demanda. Os padrões técnicos recomendam que, mesmo nos picos de consumo, o sistema opere com folga de 5% sobre a carga máxima. Mas essa margem de segurança, chamada de reserva girante, ficou abaixo de 1% em 29 e 30 de janeiro.
Ontem, o Operador Nacional do Sistema (ONS) informou que os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e do Centro-Oeste, os mais importantes do país, voltaram a baixar, alcançando os piores níveis desde 2001, ano do racionamento de energia. Refletindo o forte consumo de energia e a estiagem, o total armazenado chegou a 36,69% da capacidade total na última terça-feira, queda de 0,51 ponto percentual sobre o dia anterior. Há uma semana, esse índice estava em 38,9% . Há um ano, era de 42,9%. Em Três Marias (MG), os volumes não passam de 27,56%, números considerados críticos para fevereiro. No Sul, os reservatórios caíram ainda mais e estão com 46,31% da capacidade, 1,19 ponto percentual menos que há uma semana. Em contrapartida, a geração média de energia pelas usinas termelétricas atingiu 12.887 megawatts (MW) nos 10 primeiros dias de fevereiro e bateu novo recorde.
Segundo o ONS, essa contribuição ao sistema correspondeu a 18,38% da demanda nacional no período, sendo o restante coberto quase totalmente pelas hidrelétricas. Em igual período de 2013, foram gerados pelas termelétricas 11.701 MW médios, 19,28% da eletricidade consumida no país. A capacidade total do parque térmico é de cerca de 22 mil MW, que não pode ser acionada toda de uma só vez por razões técnicas.
GÁS NATURAL Como se não bastasse o variado leque de incertezas que cercam hoje o abastecimento nacional de energia elétrica, a indústria teme ainda um impacto desse quadro de estresse sobre a oferta de gás natural. A preocupação foi apresentada ontem ao governo por parlamentares e representantes de grandes consumidores do insumo industrial durante encontro na Câmara dos Deputados.
Em resposta, a diretora do Departamento de Gás Natural do Ministério de Minas e Energia (MME), Symone Cristine Araújo, descartou o risco de desabastecimento de gás, mesmo com a necessidade eventual de acionamento de mais usinas termelétricas para compensar o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas. "Não há supremacia de um setor sobre o outro", descartando direcionamento do gás para a produção de energia nas usinas termelétricas, em prejuízo de outros usuários.
Apesar disso, ela bateu três vezes na mesa "para afastar o azar" e descartou desonerações no energético para evitar "pressões adicionais" de demanda no mercado. "Todo o mercado das distribuidoras está sendo atendido", ressaltou. Em novembro do ano passado, 44% dos volumes disponíveis eram reservados às térmicas e 45% à indústria.
HORÁRIO DE VERÃO O advogado especialista em energia Alexei Vivan, do Escritório L.O. Baptista, afirma que o término do horário de verão, no próximo domingo, não deverá provocar apagões no sistema elétrico do país. A economia total para o Brasil é de apenas R$ 400 milhões. A mudança tem o objetivo de dar mais segurança nos horários de pico. “É uma maneira de evitar, pelo menos por um período, que os chuveiros, os fornos e outros eletrodomésticos das casas entrem em ação no mesmo horário em que a iluminação pública está sendo ligada”, explica. De acordo com ele, trata-se de uma forma de aliviar o sistema de transmissão no país.
Publicação: 13/02/2014 06:00 Atualização: 13/02/2014 07:14
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